A história do bairro do Brás, São Paulo

Maio 3, 2018 por na categoria News com 0 e 0
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Hoje o bairro do Brás, na cidade de São Paulo, é conhecido como um local de compras populares, com preços baixos. É lá onde encontramos tecidos, roupas e acessórios, a famosa feirinha da madrugada, móveis e onde também temos o Mercado Municipal e a Zona Cerealista, que são dois grandes centros de distribuição dos mais diversos tipos de produtos alimentícios.

Mas assim como aconteceu em muitos bairros de São Paulo, o Brás no seu início era um lugar tipicamente rural, um pedaço de chão entre o centro da cidade e o bairro da Penha, em um local que era cercado de um lado pela várzea do Carmo, uma área alagada pelo Rio Tamanduateí, e de outro por um imenso depósito de lixo. Em seu começo, o Brás era repleto de chácaras e sítios onde predominava a agricultura. A população era composta em sua maioria por índios e escravos, que provavelmente trabalhavam para senhores donos das terras. Um cenário totalmente diferente do de hoje!

 

Século XIX, por volta de 1800

Como surgiu o nome Brás

Alguns fatos históricos apontam três diferentes versões para o nome do bairro. A versão mais aceita por historiadores é sobre um português chamado Benemérito José Brás, dono de terras que fez muitas benfeitorias no bairro, sendo a principal delas a construção de uma capela que recebeu o nome de Senhor Bom Jesus do Matosinhos. E como era comum na época, uma comunidade foi se estabelecendo ao redor da capela. Mas em 1904 ela foi demolida, e em seu lugar se ergueu a igreja matriz do Brás, que permanece até hoje.

As terras de Benemérito José Brás ficavam próximas da estrada que terminava no bairro da Penha, e uma parte dessa estrada era conhecida como Caminho do José Brás, um costume que temos até hoje, de dar “apelidos” para determinados locais. Depois esse trecho da estrada recebeu o nome de Rua do Brás, que hoje é a Avenida Rangel Pestana. Essa versão da origem do nome inclusive está registrada no livro de Levino Ponciano, “Bairros Paulistas de A a Z”.

As outras duas versões não são muito aceitas pelos historiadores, pela falta de fatos que as comprovem. Uma delas conta que o nome Brás foi dado depois da passagem de Brás Cubas pelo local, onde fundou uma pequena vila. E na outra versão, o nome foi dado em homenagem ao filho da Marquesa de Santos, cujo nome era Brasílico, e que era o dono da maior parte das terras do local.

 

A Várzea do Carmo, um dos limites do Brás

 

Século XIX, por volta de 1860

Desenvolvimento do Brás

O trem da companhia inglesa São Paulo Railway, que desde 1865 trafegava de Santos até Jundiaí, mudava a fisionomia urbana e tinha como principal função levar o café das fazendas para exportação a partir de Santos, também transformou o Brás. “Porteiras acionadas manualmente comandavam o tráfego, para grande irritação de motoristas, cocheiros, passageiros e pedestres”, escreve Roberto Pompeu de Toledo em “A Capital da Vertigem”. A primeira versão da Estação Brás surgiu em 1867. Com o surgimento da Estrada de Ferro do Norte, futura Central do Brasil, trens partiam do coração do Brás também para o Rio de Janeiro.

 

A porteira que era fechada durante a passagem dos trens

 

Século XIX, por volta de 1870

O Gasômetro

A iluminação de São Paulo, assim como em muitas outras cidades, era feita por lampiões a óleo, que eram acendidos um a um manualmente. Mas por volta de 1872, o Brás recebeu a São Paulo Gas Company, que trocou o combustível dos lampiões por gás, considerado um grande avanço para a época. O gás para a iluminação era fornecido pelo complexo do Gasômetro, e que atualmente é ocupado pela Comgás, que agora fornece o gás como combustível para fogões e aquecedores.

 

A usina do Gasômetro, que fornecia gás para a iluminação do bairro

 

Final do século XIX e começo do século XX

Mudança na população

Enquanto São Paulo avançava no domínio das plantações de café, o começo do século XX viu chegarem as indústrias e os imigrantes estrangeiros, principalmente italianos. Os trilhos de trem que levavam o café de São Paulo receberam diversas fábricas ao seu lado, o que facilitava o transporte da produção. Os imigrantes trabalhavam nessas fábricas e moravam no Brás, que se tornava um bairro de operários, em sua maioria estrangeiros.

Por causa da grande quantidade de imigrantes estrangeiros, surgiu no Brás a Hospedaria de Imigrantes, construída na Rua Visconde de Parnaíba, 1.316, e onde hoje encontra-se o Memorial do Imigrante, como uma forma de homenagear a memória desses que ajudaram na construção do Brás e da Cidade de São Paulo.

 

A Hospedaria de Imigrantes, que recebia pessoas de outras regiões e países

 

Final do século XIX e começo do século XX

A era de Francisco Matarazzo

Diversos empresários construíram fábricas no Brás, por causa do preço baixo dos terrenos e por causa da grande oferta de mão de obra no bairro, que já era tomado principalmente por italianos. Isso causou uma mudança na paisagem do Brás, tornando-se mais urbano com as chaminés das fábricas, trânsito intenso de pessoas, muitas casas e muito barulho.

Um imigrante italiano, chamado Francisco Matarazzo, chegou ao Brasil em 1881. Ele talvez tenha sido o maior responsável pela mudança do Brás, em diversos sentidos. Matarazzo construiu diversas fábricas no bairro, chegando a ser considerado, na época, o homem mais rico do Brasil, e suas indústrias tornaram-se o maior complexo industrial da América Latina no começo do século XX.

 

Uma das primeiras indústrias de Francisco Matarazzo no Brás

 

Século XX, 1917

Greve geral e mudanças trabalhistas

O trabalho nas fábricas estabelecidas no Brás era feito por homens, mulheres, crianças e idosos, em condições hoje consideradas proibitivas, como jornadas de trabalho de mais de 14 horas, sem férias, salários atrasados, falta de segurança, etc. Em 1917 uma greve estava para acontecer, mas soldados tentaram impedi-la e acabaram matando um sapateiro espanhol, conhecido como Martinez, o que elevou a revolta da população e finalmente à greve geral. Ela acabou após governo e empresários entrarem em acordo com os funcionários, atendendo a muitas de suas reinvindicações, como 8 horas de trabalho diário, adicional noturno, data de pagamento de salários, idade mínima de 14 anos para contratação, entre outras.

 

Trabalhadores durante a greve de 1917

 

Século XX, década de 40

Mais uma mudança na população

A seca no nordeste impulsionava pessoas a saírem daquela região em busca de trabalho e melhores condições de vida. E foi assim que na década de 1940 o Brás começou a receber muitos imigrantes nordestinos, muitos deles passando pela Hospedaria do Imigrante. Os nordestinos também participaram de outra mudança no Brás, trabalhando como funcionários das diversas lojas que abriam no bairro ou como vendedores ambulantes nas ruas e praças, o que era o princípio do comércio popular característico hoje do Brás.

 

Mais imigrantes que tornaram o Brás sua moradia e local de trabalho

 

Século XX , década de 70

O Metrô

Apesar do Metrô ser considerado um grande avanço no transporte de São Paulo, para os moradores do Brás a construção da estação foi um grande problema. Muitas casas tiveram que ser derrubadas, aconteceram desapropriações, o tráfego de pessoas, automóveis e transporte público ficou deficiente. Mas hoje o Metrô é uma grande ajuda para o transporte do bairro.

 

O Metrô, apesar de ter causado transtornos durante sua construção, depois aliviou o já carregado trânsito do Brás

 

Século XXI

Atualmente

Depois de tantas transformações, avanços e migrações, hoje o Brás é um bairro tipicamente de comércio popular. As ruas foram se tornando temáticas, com cada uma delas com lojas vendendo um mesmo tipo de produto.

E cada vez mais as lojas do Brás seguem as tendências, sejam de moda, alimentação ou tecnologia, de modo a atender a demanda das milhares de pessoas que circulam pelo bairro todos os dias.

 

Imagem da atual área do Brás

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